terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Prazer em conhecer


Já ouvi muitas vezes sugestões (e ordens) para eu conhecer novas pessoas, geralmente me culpando por não fazer nada para mudar. De fato, minha vida social é, desde sempre, um tanto quanto estagnada: mais ou menos os mesmos círculos pequenos de amigos há muitos e muitos anos, com pouca variação aqui e ali. Em certas ocasiões dá mesmo vontade de renovar contatos, encontrar gente diferente para me mostrar coisas novas na vida, experimentar outras emoções e sentimentos, sejam bons ou ruins. Sou um pouco conformista em relação a isso, admito, mas a questão é que não sei conhecer gente nova.

É. Não sou exatamente o cara mais social do mundo e minha timidez também não ajuda em nada. Hoje em dia não pareço tanto, mas sou bastante inseguro e fico sem jeito muito fácil. Sou péssimo em puxar assuntos e em manter conversas, então falo pouco com a maioria das pessoas. Inclusive com as mais próximas, imagine as estranhas.  “Mas como você conheceu as pessoas com quem tem contato hoje?”, uma brilhante pessoa me pergunta. Foram todas apresentadas naturalmente por alguém ou conheci por pura coincidência na escola ou no trabalho e acabamos nos dando bem de algum jeito.

Muitos dizem para eu sair mais de casa. Bem, para começar, para isso normalmente preciso de companhia e de um destino. Meus poucos amigos moram, na grande maioria, longe. Em outras cidades ou estados. Dar uma volta com eles não é bem a definição ideal de “praticidade”. E a maioria também não é de sair para lugares em que pessoas costumam falar com estranhos. E para onde iríamos? Não me diga “balada” ou “bar”, não gosto de vida noturna lotada de gente barulhenta e, muito provavelmente, bêbada. E mesmo se eu fosse a um lugar assim, não conheceria alguém lá, não teria nada em comum com ninguém. Claro que há a certa possibilidade de me deparar com outra pessoa na mesma situação deprimente e entediante que eu, mas, mesmo se for o caso, é porque ela se parece razoavelmente comigo e nunca nos falaríamos numa situação dessas.

E antes que me acusem: não. Não estou esperando que as coisas simplesmente caiam no meu colo e que as pessoas venham falar comigo. Nada contra se fizerem, mas não me sinto confortável com isso. De qualquer forma, garanto que minha esperança não mora aí. Também odeio que me apresentem alguém e me forcem a conversar, porque também não é nada agradável. Certo, sei que parte da minha exclusão social é escolha pessoal, mas apenas não sei o que posso fazer e não sei me portar socialmente, então sem querer acabo mantendo todo mundo afastado.

Uma vez, por sugestões, tentei usar um desses sites que nos colocam para conversar com gente completamente aleatória de qualquer lugar do mundo. Ficamos alguns segundos em silêncio e a pessoa escreveu: “Hi”. Então entrei em pânico e imediatamente fechei a janela por reflexo. Me senti um pouco mal por ter feito isso com ela.

2 comentários:

Jefferson Sato disse...

Acabo de perceber que escrevi muitos "nãos". Por favor, não citem o filme "Sim Senhor"... Vocês são todos inteligentes e conseguem argumentos melhores.

Texto dedicado à Daniela, que conheci por um acaso o qual só posso chamar de feliz.

E um VIVA para quem entender e conhecer a referência da imagem.

Tiago Benevides disse...

Não é um problema seu exclusivamente, é um problema de muita gente. Pessoas lidam com ele melhor do que outras. Para algumas, as amizades que têm já são suficientes. Para outras, uma amizade mais superficial já basta.

Infelizmente, quanto mais velho a gente fica, mais difícil de conhecer pessoas.

(A imagem é a base da história E o nome do anime, não é difícil relacionar D:)