quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Crônica de uma terra devastada

Primeiros minutos do lado externo. É muito pior do que imaginava. O ar quente, pesado e difícil de respirar. A luz excessivamente intensa que cega os olhos. O calor excruciante que castiga todas as pessoas aqui fora, independentemente de seus pecados passados.

As pessoas, aliás, são insistentes. Inacreditavelmente, a vida resiste, mesmo neste ambiente inóspito. Aqui e ali vejo pessoas judiadas por estas terras que, por um motivo ou outro, tentam vencer o obstáculo que se tornou o mundo e a própria natureza. Algumas com proteções contra o Sol, outras tentam a sorte apenas com a perseverança.

Não vejo apenas pessoas jovens, mas também outras que vieram de tempos diferentes. Aqueles que são de antes de tudo mudar relembram do clima agradável, de quando as coisas faziam sentido, as estações do ano significavam algo, havia lei e ordem. A água era abundante, dizem. Em outra época, estaríamos no frio aconchegante do inverno. Hoje tudo isso parece apenas uma fantasia utópica.

Mesmo em pouco tempo, meu corpo já sente os efeitos do lado externo. A sede, o suor, o cansaço, a secura do ar impuro que entra com dificuldade em meus pulmões. Até a sanidade parece evaporar. Prometi que minha jornada traria frutos, que valeria a pena. Já não tenho mais tanta certeza. O que este lugar esquecido pelos deuses poderia me oferecer?

Agora eu só quero voltar para o ar condicionado e fugir destes 33ºC em pleno inverno. Droga, São Paulo!

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17 de setembro de 2015
Publicado originalmente no Facebook.